A Organização da Roupa e a importância da economia circular

Organização da Roupa

A organização da roupa leva, na grande maioria das vezes, a algum ou até muito descarte de peças. Em seguida há que lhes dar um fim. Começamos logo por pensar em doar ou vender esses itens.

Mas quanto aos itens que já não se encontram em condições de uso o que normalmente lhe ocorre fazer? O meu palpite leva a uma única ação: colocar no lixo. E depois de ser colocado no lixo o que pensa que irá acontecer? Aqui reside o problema: irá seguir para um aterro sanitário. Para a maioria de nós o problema ficou resolvido. Será assim? O que acontece aos têxteis que vão ter fim de vida num aterro?

Aterro

A indústria da moda é uma das indústrias mais poluentes do mundo e uma das mais intensivas em termos de consumo de água. Precisamos, também, reduzir a emissão gases de efeito estufa na atmosfera. A indústria petrolífera ocupa o 1º lugar na lista, mas alimenta a indústria têxtil na medida em que a maior parte da roupa é, hoje em dia, sintética e provém do petróleo.

Infelizmente, a indústria da moda é altamente prejudicial para a biodiversidade. Tudo, desde a produção de matérias-primas e fio, até ao transporte, tem impacto no ambiente. Hoje em dia já existe a preocupação ecológica nesta área, todavia os efeitos negativos associados apenas se atenuam, mas não se eliminam. Isto porque, e apenas na Europa, durante o ano de 2020 houve um consumo total de 6,6 milhões de toneladas de produtos têxteis. Continua-se a produzir em demasia, há que refrear essa produção.

De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, anualmente cerca de 200 mil toneladas de têxteis tem como destino o lixo. Tendo em conta que o tecido de algodão pode levar 10 a 20 anos a decompor-se e um tecido sintético leva 100 a 300 anos, torna-se assustador a quantidade de têxteis deitados ao lixo. De acordo com a União Europeia – Diretiva 2018/85- até 2025 todos os Estados-membros terão de fazer esta recolha seletiva de têxteis.

Já existem empresas que se ocupam da recolha e da possível reciclagem da roupa usada. Uma delas é a Ultriplo, uma empresa sediada em Braga, mas que possui contentores, de cor verde alface, na maioria dos distritos do país. Poderá pesquisar no site onde tem o contentor mais próximo de si. Por pequena que seja a contribuição individual há que pensar que estaremos a ajudar a minimizar os danos causados pela indústria têxtil.

A Organização da Roupa e a importância da economia circular • Orgazine

De acordo com informação cedida pela empresa 35% dos têxteis são reciclados e apenas 5% tem como destino final o aterro. Outros exemplos de empresas que se dedicam á reciclagem são a Sasia, a To Be Green, e a Humana. Neste mundo da reciclagem têxtil o produto final é utilizado em colchões, panos de desperdício, isolamento térmico e acústico, pavimentação de estradas e na indústria automóvel.

Para melhor compreender como funcionam estas empresas partilho o link de uma reportagem feita a uma empresa brasileira que explica todo o processo de reciclagem – https://www.youtube.com/watch?v=UTJqryeb_1I

Na Europa a Comissão Económica das Nações Unidas diz que 40% das roupas que temos no armário não são usadas. E, segundo a Greenpeace, cada pessoa compra, em média, mais 60% das peças que comprava no ano 2000 e que apenas as mantém por metade do tempo. Já a Agência Europeia para o Ambiente estima que cada europeu é responsável pela emissão para a atmosfera de 654 quilos de CO2 por comprar e descartar peças de vestuário. O impacto negativo na sustentabilidade do nosso planeta é inegável.

Reciclagem

Agora que já tem noção que os têxteis não são biodegradáveis e representam um desafio para o equilíbrio da biodiversidade damos sugestões de como poderá ajudar a reduzir a pegada ecológica e a Organização da roupa.

Algumas das nossas ideias para reduzir o excesso e facilitar a Organização:

  • O primeiro passo é evitar a compra excessiva de fast fashion: peças mais baratas mas com pouca durabilidade e qualidade. Há que mudar o comportamento consumista e evitar as compras por impulso, ou seja, compre de forma consciente
  • Aposte mais na slow fashion: produtos duráveis, sustentáveis, de alta qualidade e provenientes de uma produção justa. Serão mais caros mas mais duráveis no tempo
  • Pode doar ou revender o que já não utiliza, a isto chama-se economia circular
  • Prolongue o tempo útil de vida da roupa:  remendando, reparando ou transformando-a
  • Coloque a roupa que se encontra em mau estado em contentores próprios, para lhe darem uma nova vida.
  • No caso de têxteis de maior dimensão (toalhas, lençóis, mantas, edredons, etc.), poderá doar a canis e gatis que, geralmente, têm falta de agasalhos para os animais.
  • Pode doar ou revender o que já não utiliza, a isto chama-se economia circular.

Sabia que

A roupa que doamos é recolhida a custo zero e revendida com margens de lucro em lojas de segunda mão. Este lucro é só depois aplicado em missões humanitárias, mas na realidade só cerca de 10% da roupa fica em território nacional. Os restantes 90% são embalados e enviados em contentores para países subdesenvolvidos para serem vendidos a preços baixos. No entanto, por vezes 50% dos têxteis de cada embalagem acabam por ir parar ao lixo pela fraca qualidade ou por se encontrarem danificados. Presentemente esses países não possuem capacidade para reciclar esses têxteis, os quais acabam em lixeiras a céu aberto e cujo tamanho aumenta diariamente. Os países desenvolvidos precisam parar de exportar para os países pobres o seu lixo. Recentemente uma reportagem na televisão alertou para esta situação. Veja a reportagem sob o título “Montanha têxtil – O fardo oculto dos resíduos da moda” – https://www.youtube.com/watch?v=Zk6QoA8iWW0

Não pretende, de todo, este artigo dizer-lhe para deixar de comprar, mas sim optar por compras mais conscientes e menos impulsivas. Talvez em vez de comprar 3 peças de fraca qualidade e pouco duráveis o melhor seja optar por uma peça intemporal, de alta qualidade e que lhe irá perdurar no tempo. Não esqueça que as técnicas de vendas nos levam a criar necessidades que até desconhecemos, e que na realidade não existem.

“Compre menos. Escolha bem. Faça durar. Qualidade, não quantidade. Todos estamos a comprar roupa em demasia.”
VivienneWestwood

Aplicando a Lei de Pareto às nossas roupas significa dizer que usamos 20% das roupas para compor 80% dos nossos looks, e isso comprova que adquirimos mais peças do que realmente necessitamos. O ideal será optar por um guarda-roupa inteligente. O mesmo é construído por forma a que cerca de 80% das nossas roupas façam parte do uso frequente e cerca de 20% são usadas para ocasiões menos frequentes, tais como praia, ginástica, festas. Isso significa que irá usar 100% do seu guarda-roupa.

É um desafio que deixamos no ar: compras conscientes, preocupação com a redução da nossa pegada individual no meio ambiente e uma melhor gestão económica. Além disso irá notar que será mais fácil manter a organização da sua roupa.

Será que a/o deixei a pensar no assunto? Irá notar que será mais fácil manter a organização da sua roupa.

Ana Ferreira

Imagens by https://unsplash.com/photos/pouTfHUG430, https://unsplash.com/photos/uDvyYCf5q9c e https://unsplash.com/photos/HwNCyLWw7hw

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