Boomers ou Millenials: quem é que põe a casa em ordem?

<em>Boomers</em> ou <em>Millenials</em>: quem é que põe a casa em ordem? • Orgazine

Neste artigo exploramos as diferenças dos boomers e dos millenials na organização da casa, identificamos os pontos fortes de cada geração e propomos um sistema para facilitar as rotinas de todos, pondo de lado as divergências.

As vantagens de uma casa organizada são inúmeras. A organização faz-nos ganhar tempo e poupar dinheiro, permite uma maior fluidez na execução das rotinas do dia-a-dia. O que, por sua vez, possibilita maior produtividade em diversas áreas da nossa vida. Numa casa organizada as discussões são menos frequentes e a tranquilidade é lei. Mas quererá isto dizer que duas famílias organizadas são iguais? O mesmo sistema de organização funciona para habitantes da casa de gerações diferentes?

Ter um sistema de organização em casa permite que todos saibam onde arrumar um objecto depois de o usar. Implementar a regra “usou-arrumou” é possível quando há um local definido para cada objecto. Isto permite manter a casa arrumada, com as coisas no sítio. Mas um sistema de organização vai para além das (muito importantes) definições de locais para cada objecto.

Se todos os habitantes da casa souberem onde registar que um produto está a acabar pode-se fazer um planeamento adequado das compras: o shampoo não acaba de forma inesperada, não se fazem compras de última hora porque acabou o sal quando se ia fazer o jantar.

Numa casa organizada também se evita o desperdício alimentar, sabe-se o que há em casa, compra-se apenas o que faz falta e vai havendo uma gestão dos alimentos. Numa casa organizada as coisas não se perdem, o que diminui discussões desnecessárias, e não se perde tempo a procurar objectos: as chaves estão sempre na entrada da casa.

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Mas numa mesma casa podem habitar pessoas diferentes, com as suas individualidades e tipologias de relacionamentos. Podem viver mulheres, homens, idosos, jovens, crianças, animais, podem ser famílias monoparentais, famílias numerosas, casais LGBTQIA+, um avô e um neto, três colegas de casa, um humano e um animal, as possibilidades são infinitas. Esta diversidade contribui para experiências ricas nas nossas relações quotidianas, mas não vem sem desafios associados. As pessoas têm crenças que condicionam os seus hábitos e comportamentos, e, frequentemente, essas crenças são geracionais. Neste artigo procurámos explorar algumas dessas diferenças no que respeita a organização e manutenção da casa.

Focámo-nos em duas gerações da nossa cultura ocidental, definidas na gíria como os Boomers e os Millenials. Os primeiros, nascidos entre 1946 e 1964, têm em 2022 entre 76 e 58 anos, e os segundos, nascidos entre 1981 e 1996, têm agora entre 41 e 26 anos.

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Os boomers cresceram no pós-guerra, são caracterizados por serem pessoas trabalhadoras, independentes, com uma forte ética de trabalho. Sabem como poupar, usam as coisas até ao limite, com eles um lençol velho rapidamente se torna num pano de limpeza. São uma geração que valoriza o duradouro, como móveis de madeira maciça que duram uma vida. Gostam que a sua casa seja um local confortável, onde podem relaxar depois de um dia de trabalho.

Os millenials conhecem a mudança desde sempre, seja ela tecnológica, económica ou laboral, são pessoas que se sabem adaptar rapidamente a situações novas. Mais do que ganhar dinheiro procuram fazer coisas que os motivem, usam a tecnologia de forma intuitiva, têm vontade aprender coisas novas, desafiam hierarquias e rompem com cânones. Valorizam experiências mais do que bens materiais, o que se reflecte em decorações minimalistas com um ambiente leve. Gostam que a sua casa tenha múltiplas funções, sendo frequentemente usada como local de trabalho e espaço para receber amigos.

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Deste modo, não é surpreendente que pessoas nascidas nestas duas gerações divirjam na organização e manutenção da casa. Num estudo recente de uma empresa norte-americana de produtos de limpeza e arrumação da casa foram comparados os hábitos de limpeza e rotinas de manutenção da casa entre estas duas gerações. Concluiu-se que, os boomers reportam mudar os lençóis da cama com maior frequência, assim como limpar a casa-de-banho e a cozinha mais vezes, enquanto os millenials dizem aspirar com mais regularidade, assim como, limpar a sua secretária. Se tivermos em consideração as diferenças geracionais descritas em cima estas diferenças não são surpreendentes, vão ao encontro do estilo de vida e crenças de cada geração.

Enquanto organizadoras profissionais, havia uma questão que nos suscitava muito interesse neste estudo, quem é que é destralha com maior frequência? 40% dos boomers reporta fazer destralhe uma vez por ano, enquanto apenas 27% dos millenials diz ter este hábito. Se por um lado, este dado parece contraditório, os que se dizem mais minimalistas – millenials – destralham menos, por outro lado há que considerar que os boomers estão há mais tempo neste planeta e por isso terão mais objectos em casa para destralhar.

Vimos então que boomers e millenials têm crenças diferentes acerca da organização e manutenção da casa, sendo que estas se traduzem em comportamentos distintos por parte de pessoas das duas gerações. Mas, como conciliar a rotina de uma casa quando na mesma habitam pessoas com crenças e hábitos diferentes? Propomos que se crie um sistema de organização assente em 3 pilares, vamos chamar-lhe o sistema EPA:

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Envolvimento de todos (E): todos os habitantes da casa devem estar presentes quando se definir quem faz que tarefas e com que frequência. Comunicar o que é esperado de cada um e cada um assumir responsabilidade individual das suas tarefas evita discussões desnecessárias. Por exemplo, a pessoa A pode achar expectável que se limpe a cozinha todos os dias, ao passo que a pessoa B pode considerar que uma vez por semana é suficiente. Isto pode levar a que a pessoa A crie a expectativa de que dia sim dia não a pessoa B assuma a limpeza da cozinha, acabando por gerar mal-estar e discussões. Ao passo que a pessoa B pode achar que nunca precisa de limpar a cozinha porque, no seu entender, ela está sempre limpa (nunca se passa uma semana sem que esta apareça a brilhar). Definir que a cozinha é limpa a cada 3 dias, uma vez por cada habitante da casa, pode ser uma solução de compromisso, que não vai deixar uma pessoa frustrada por achar que a cozinha não é limpa vezes suficientes e outra porque lhe é cobrado que limpe mais vezes quando ela acha desnecessário.

Personalizado (P): as casas são de quem as habita, as rotinas das pessoas variam muito de pessoa para pessoa e de casa para casa. Quando se distribuem tarefas devem ser tidos em conta e respeitados factores idiossincráticos, como a idade das crianças, eventuais limitações físicas, horários de trabalho e outros aspectos da vida de cada habitante da casa. Não há soluções iguais em casas diferentes. Por exemplo, a pessoa A pode achar que todos devem colocar a loiça na máquina a seguir às refeições, mas a pessoa B pode não ser capaz de se baixar para o fazer devido a um problema de saúde. Para que a pessoa A não se frustre e sinta que só ela é que trata da loiça, pode ser definido que a pessoa B fica responsável de outra tarefa, como colocar e levantar a mesa, da qual a pessoa A fica liberta enquanto a pessoa A fica sempre responsável pela colocação da loiça na máquina, libertando a pessoa B dessa tarefa.

Ajustável (A): Nenhum sistema, por mais que tenha sido criado com o envolvimento de todos e personalizado que seja, é universal nem dura para toda a vida. Assim, este deve ser revisto e ajustado ao longo do tempo. Por exemplo, quando saem habitantes da casa, quando surgem novos elementos na família, quando existe um novo problema de saúde na vida de um habitante da casa, quando há uma mudança nos horários de trabalho de um elemento, entre outros. Mais uma vez nestes ajustes, todos devem estar envolvidos e as suas características individuais consideradas.

Queremos concluir lembrando que as pessoas são todas únicas e têm as suas características individuais, uma pessoa nascida nos anos 50 não têm obrigatoriamente todos os atributos que caracterizam um boomer, assim como nem todas as pessoas nascidas nos anos 90 têm as características de um millenial. Estas caracterizações são úteis para identificarmos diferenças geracionais, mas não são taxativas nem devem ser vistas como rótulos que definem ou limitam as pessoas. As duas gerações são associadas a traços positivos, diferentes mas todos válidos e úteis para enriquecer a nossa vida em sociedade e passíveis de darem bons contributos para a organização e manutenção da casa. Por fim, com o sistema EPA esperamos poder ajudar a melhorar a harmonia e a diminuir as discussões em muitas casas.

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Aí em casa, como são distribuídas as tarefas? Conte-nos como ultrapassa estas diferenças.

Margarida

Imagens by Elina Fairytale e SHVETS e cottonbro studio e Karolina Grabowska e Pixabay on Pexels e Noah Buscher on Unsplash

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