Destralhar é criar lixo?

Destralhar

Na organização profissional fala-se muito em destralhar. Mas será que destralhar é criar lixo?

Este conceito-chave consiste em retirar da casa objectos danificados, que já não são úteis, ou que já não nos façam sentir bem. Mas o que acontece a esses objectos? Vamos dar a conhecer possíveis fins para aquilo que decidimos retirar da nossa casa.   

Um projecto de organização, como a organização de uma cozinha, começa por retirar todos os objectos dos armários e gavetas. Quando dizemos todos, estamos a incluir panelas, tupperwares, especiarias, panos da loiça, tudo o que existir nessa divisão. À medida que os objectos vão sendo retirados vão sendo criadas categorias. Por exemplo, loiça, talheres, produtos de mercearia, etc. O passo seguinte consiste em analisar os objectos e identificar quais são para manter e quais queremos retirar da nossa cozinha, ou seja, destralhar. Só depois se colocam os objectos a manter nos seus locais de forma organizada, seguindo um sistema adaptado, entre outros, às características da divisão e às rotinas dos habitantes da casa.   

Biblioteca gratuita.

Muitas vezes identificamos peças de roupa ou artigos de decoração que já não precisamos ou que já não queremos, mas que se encontram em bom estado. Uma solução pode ser doar esses artigos. No caso da roupa já há por todo o país cada vez mais contentores de instituições de solidariedade social nos quais podemos depositar os nossos donativos.

As bibliotecas e escolas muitas vezes aceitam livros em segunda mão. Pode procurar uma Biblioteca Aberta perto de si (https://littlefreelibrary.org/ourmap/) e aderir ao book crossing, que consiste na troca de livros entre pessoas que não se conhecem.

Associações de apoio a pessoas em situações de carência económica aceitam mobiliário e outras peças de decoração. Através de uma pesquisa na internet por instituições na sua área de residência em função do tipo de objectos que destralhou pode encontrar facilmente destinos para estes.

O que deixou de ter utilidade na nossa casa pode fazer toda a diferença na vida de outras pessoas. Este pensamento também pode ajudar-nos a praticar o desapego.

Assim, quando um projecto termina ficamos com um conjunto de objectos que foram detralhados e aos quais precisamos de dar um destino. Mas este destino não tem de ser o lixo. Quando são identificados objectos a retirar da casa, podemos dividi-los logo em três categorias: doar, vender e lixo/reciclagem. 

Ao doar o que destralhámos contribuímos para um mundo mais sustentável, do ponto de vista ambiental e social.

Alguns dos comentários mais frequentes no processo de destralhe são: “Não me quero desfazer de X porque foi caro”, “Não uso, mas é de uma boa marca”, ou “Não gosto, mas sei que é valioso”. Enquanto profissionais da organização sabemos que pode ser tentador manter objectos pelo seu valor monetário, apesar de não os usarmos ou gostarmos particularmente deles.

Fomos educados (e bem) para preservar as nossas coisas e a não desperdiçar. No entanto, ao mantermos em casa objectos que não precisamos, usamos ou gostamos estamos a ocupar espaço desnecessariamente. O espaço ocupado por esses objectos poderia estar desimpedido para o utilizarmos no nosso dia-a-dia (por exemplo, uma bancada de cozinha sem uma máquina de sumos que foi usada duas vezes seria mais útil vazia) ou ocupado por objectos que de facto utilizamos (como a torradeira, que estava atrás da máquina de sumos e que é preciso tirar e arrumar quase todas as manhãs). No caso destes objectos, uma boa opção pode ser vender. Há diversos sites e aplicações de venda de artigos em segunda mão que o permitem fazer de forma rápida e segura.

Alguns artigos que destralhamos não estão em condições de serem doados ou vendidos. Nesse caso, terão de ser colocados no lixo. Mas atenção, um objecto estar danificado não significa que o seu destino tenha de ser o lixo comum. Podemos separar, quando possível, os materiais que compõem esse objecto, por exemplo o cartão do plástico e colocar os materiais nos ecopontos respectivos. No caso de pequenos electrodomésticos, estes devem ser colocados num contentor da Rede Electrão para que os seus componentes possam ser separados, reutilizados e reciclados.  

Destralhar para doar

Podemos então concluir que destralhar não significa criar lixo, há vários destinos possíveis para os objectos que retiramos da nossa casa. No episódio de 3 de Maio, a rubrica Minuto Verde da RTP abordou esta temática, para algumas ideias siga o link: https://www.rtp.pt/play/p55/e614661/minuto-verde

Gostou do nosso artigo? Já destralha os objectos que não fazem sentido na sua casa?

Margarida

Imagens by: https://unsplash.com/

2 thoughts on “Destralhar é criar lixo?”

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